Os impactos da cirurgia robótica no cenário da saúde e da economia local foram o foco de um debate no Conselho Deliberativo da Associação Comercial, Industrial, Agronegócio e Serviços de Chapecó, a ACIC. Durante reunião nesta segunda feira, representantes da Unimed apresentaram detalhes sobre a implementação da tecnologia em Chapecó e os reflexos do programa para o desenvolvimento regional. A discussão buscou analisar como o investimento em alta tecnologia pode influenciar o posicionamento do município como um polo de serviços médicos e movimentar diferentes setores da comunidade, atraindo pacientes de outras localidades para a cidade.

Na apresentação, o diretor médico executivo da Unimed Chapecó, Rodrigo Armani Lino de Souza, contextualizou a atuação da cooperativa na região. A organização opera com um modelo que abrange tanto o plano de saúde quanto a prestação de serviços assistenciais, incluindo hospital, oncologia, diagnóstico por imagem e laboratório. Segundo Armani, a estrutura atual conta com 64 mil beneficiários e 381 médicos cooperados, além de cerca de 1,7 mil colaboradores. Ele destacou que este modelo permite uma gestão integrada da qualidade assistencial e dos custos operacionais, e mencionou as certificações de qualidade obtidas, como a acreditação internacional Qmentum.

O coordenador do Programa de Cirurgia Robótica, Paulo Fernando Caldas, explicou o funcionamento da tecnologia. Ele pontuou que o robô não opera de forma autônoma, mas atua como uma interface controlada pelo cirurgião, que comanda os braços do equipamento a partir de um console. A ferramenta proporciona uma visão tridimensional ampliada, filtra tremores naturais e utiliza instrumentos articulados que permitem movimentos mais delicados e precisos. Entre os benefícios citados estão a possibilidade de realizar procedimentos minimamente invasivos e a maior segurança em intervenções complexas, sendo aplicável em especialidades como urologia, oncologia e coloproctologia.

Caldas também abordou as consequências econômicas da implementação da tecnologia. Segundo ele, a iniciativa amplia a capacidade de atendimento do hospital, atrai profissionais qualificados e movimenta a economia local. O coordenador observou que pacientes de outros municípios que buscam o tratamento especializado também utilizam a rede de serviços de Chapecó, como hotéis, restaurantes e o comércio em geral. “A cirurgia robótica não representa apenas a presença de um equipamento dentro do hospital. Ela traz reputação para a instituição e também para a cidade, melhora o nível assistencial, atrai capital humano e movimenta diferentes setores da economia”, observou o médico durante sua fala aos conselheiros.

Para o presidente da ACIC, Carlos Roberto Klaus, acompanhar iniciativas dessa dimensão permite ao conselho avaliar os avanços que influenciam o desenvolvimento regional. Ele afirmou que a inovação na área da saúde contribui para a qualidade dos serviços oferecidos à população e para a atração de profissionais especializados, além de gerar novas oportunidades. Klaus também sublinhou a importância do diálogo entre entidades empresariais e instituições de saúde para compreender os investimentos realizados e os impactos de novas tecnologias, estimulando projetos que favoreçam o crescimento sustentável do município.