A Câmara de Vereadores de Chapecó foi palco de uma audiência pública na última quinta-feira, 27, para tratar sobre a problemática da violência contra mulher. O evento, proposto pela vereadora Caren Machado (PT), buscou aprofundar o debate a respeito do fortalecimento da rede de proteção e enfrentamento no município. A sessão teve como foco principal a discussão das políticas públicas existentes, bem como os mecanismos de prevenção, acolhimento e responsabilização, além de analisar os desafios que as vítimas enfrentam diariamente na cidade.
O encontro reuniu diversas autoridades e especialistas para apresentar um panorama sobre a situação no município. Participaram representantes da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), da Defensoria Pública, da Secretaria Municipal da Família e Proteção Social, do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, da OAB Subseção Chapecó, do Instituto A Calha e da Rede Catarina de Proteção à Mulher. A vereadora Caren Machado conduziu os trabalhos e destacou a urgência do debate. “Sabemos que os dados sobre a violência em Chapecó são alarmantes. Por isso, a finalidade desta audiência pública é ouvir a população e as autoridades presentes para que, juntos, possamos fazer a diferença e ajudar as mulheres do nosso município”, afirmou a parlamentar.
Durante a audiência, a defensora pública Micheli Andressa Alves chamou a atenção para a violência política de gênero, especialmente no ambiente digital, que busca intimidar e afastar as mulheres da vida pública. “Não é apenas uma variação do algoritmo. Trata-se de um método planejado e estruturado que se utiliza do ambiente digital para promover um regime de ameaça psicológica e física constante às mulheres, com o fim de expulsá-las da vida pública e do palco da política”, explicou. O 3º Sargento Marcelo Wunderwald, coordenador da Rede Catarina, apresentou os resultados do programa, que já atendeu 22.168 mulheres com medidas protetivas desde 2016, sendo 645 apenas neste ano.
Ao final do encontro, foram propostos encaminhamentos para aprimorar o combate à violência contra mulher. Entre as sugestões estão uma moção de apelo ao governador do Estado para que as delegacias especializadas funcionem 24 horas por dia e a criação de uma comissão para pensar novas estratégias de segurança e proteção. Também foram propostos um programa municipal de orientação jurídica às vítimas, campanhas de conscientização sobre os diferentes tipos de violência, a ampliação da representação feminina em espaços de decisão e a instituição de um dia de combate e conscientização voltado à saúde mental das mulheres.



