20º Salão do Imóvel e a 2ª Techcon vão apresentar práticas sustentáveis da construção civil. A ideia é debater soluções para modernizar o setor e reduzir impactos ambientais
Quando pensamos em um grande canteiro de obras, a imagem é quase sempre a de poeira no ar, o barulho constante de serras e motores e caçambas transbordando com entulho e restos de materiais.
Contudo, nem tudo que sobra precisa virar descarte. Em Chapecó, uma obra de 28 pavimentos demonstra como materiais usados no canteiro podem seguir outros caminhos quando existe planejamento.
O empreendimento, que reúne salas comerciais, apartamentos e áreas de lazer, adota práticas voltadas à redução dos impactos ambientais desde o início da construção. A proposta inclui a gestão dos resíduos gerados no dia a dia, com atenção que vai da matéria-prima utilizada na obra até as marmitas consumidas pelos trabalhadores.
Os resíduos são levados a uma central no próprio canteiro e separados em baias, conforme o tipo de material. Depois, a coleta ocorre semanalmente e os itens seguem para reciclagem ou outras formas adequadas de destinação.
A iniciativa faz parte do PGRS (Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos), apresentado à Prefeitura antes do início da obra.
O empreendimento tem uma meta definida: conquistar a certificação Lixo Zero ao final do projeto. “A certificação do Lixo Zero é um reconhecimento oficial que é concedido pelo Instituto Lixo Zero do Brasil e ele segue padrões internacionais”, explica Elis Manfroi, engenheira de qualidade.
“Ele é concedido para empresas que reduzem a geração de resíduos e que destinam a maioria dos seus resíduos para reciclagem, reutilização ou compostagem”, completa.
A preparação começa antes da execução, com a definição de procedimentos que orientam a gestão dos materiais ao longo de diferentes etapas do empreendimento.
Para colocar esse planejamento em prática, os cerca de 70 trabalhadores envolvidos na construção passam por treinamentos e recebem orientações sobre as condutas adotadas no canteiro.
Além disso, a equipe é acompanhada por fiscalizações durante o período da obra, iniciado em 2023 e com conclusão prevista para 2027. “Mais para o final da obra, nós vamos passar por auditorias, apresentamos as evidências e aí nós teremos então a certificação Lixo Zero”, afirma Manfroi.
O que sai do canteiro de obras vai ganhar um novo destino. E, nesse caso, também movimentar a economia de Chapecó. Os materiais recicláveis separados durante a construção vão conectar a atividade da construtora e profissionais que atuam na recuperação desses materiais.
“Isso tudo é destinado para as associações de catadores, que alimentam outra cadeia econômica aqui no nosso município, que são os catadores de materiais recicláveis”, ressalta Graciela Heckler, gerente de Resíduos Sólidos de Chapecó.
Significa, portanto, que aquilo que poderia perder sua utilidade encontra espaço em outra cadeia produtiva e contribui para fortalecer o trabalho realizado no município.
“Isso é extremamente bacana, eu acredito que outras empresas, não só do ramo da construção civil, também podem implementar esse projeto para incentivar cada vez mais a reciclagem”, destaca Ana Andreia Strassburger, do Sinduscon Oeste de Chapecó.
O processo ultrapassa os limites da própria obra. Segundo a administração municipal, cada morador chapecoense gera, em média, 840 gramas de resíduos por dia. A construção sustentável, em vez de ser apenas uma iniciativa pontual, passa a estimular mudanças que alcançam também o cotidiano das pessoas e da comunidade.
A experiência mostra como pequenas mudanças de comportamento podem alcançar a comunidade. “Nós, como empresa, buscamos cumprir a proposta não só pela questão ambiental, mas também pela questão social”, acrescenta Elis Manfroi, engenheira de qualidade.
Tecnologia e sustentabilidade caminham cada vez mais próximas na construção civil. É nesse contexto que a experiência desenvolvida em Chapecó será apresentada durante o 20º Salão do Imóvel e a 2ª edição da Techcon, realizados de 26 a 30 de agosto.
Para a construção civil, esse movimento também passa pela modernização dos processos internos. A adoção de novos projetos e procedimentos amplia o olhar sobre os impactos da atividade e cria oportunidades para aprimorar a forma como as obras são conduzidas.
Para saber mais sobre o Salão do Imóvel, acesse o site oficial.


